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O Povo
Para além do ciúme
08 de Dezembro de 2009 às 09:28
 
 

O lamentável, sob todos os aspectos, assassinato da colega jornalista Kérsia Porto, além da dor causada aos familiares e amigos desta e de tantas outras vítimas de pessoas desequilibradas que são autorizadas a portar uma arma, deve servir para uma reflexão profunda sobre a questão. Além das condições psicopatológicas do assassino, este é um momento também para refletirmos sobre os sistemas de controle e acompanhamento que o Estado dispõe para assistir seus servidores que atuam no serviço de segurança.

O que aconteceu com Kérsia, assassinada, pelo que tudo indica, pelas mãos de um agente de segurança pública autorizado pelo Estado a portar uma arma de fogo, causa-me profunda indignação, não apenas pela perda de uma colega de profissão que teve sua vida e sua carreira interrompidas de forma tão brutal. Mas por saber que este não é o primeiro nem o segundo crime cometido por um policial que, fora de seu horário de trabalho, tem acesso a uma arma. São inúmeros os exemplos, ou quem já esqueceu daquele crime que tirou a vida de dois médicos em Crateús?

Fã do nosso secretário de segurança, Roberto Monteiro, pela defesa ardorosa que faz da proteção aos direitos civis e humanos do cidadão, faço um apelo: a segurança pública precisa aperfeiçoar seus mecanismos de controle interno da atividade policial e fazer com que eles efetivamente funcionem. Para uma profissão que atua no convívio diário com situações de tensão, conflitos e violência é fundamental ainda o acompanhamento das condições de saúde/sofrimento mental desses servidores, a exemplo que do existe em qualquer país democrático, com patamares civilizatórios mais elevados e com políticas de segurança pública voltadas para defesa e proteção dos cidadãos.

O policial é também um cidadão e precisa ser cuidado e melhor capacitado. É assustador o alcoolismo, dependência de drogas, desajustes conjugais, suicídios e assassinatos que atingem a categoria.É hora de o Estado cuidar do seu efetivo para de fato ele proteger o cidadão.


O Povo

 

 
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