A exemplo do que acontece com toda a sociedade cearense e toda a opinião pública nacional, estamos também chocados com essa sequência de tragédias envolvendo a infância, a adolescência e a juventude. Esse episódio estarrecedor da menina Alanis, raptada do pátio da igreja do Conjunto Ceará e depois encontrada estuprada e morta em Antônio Bezerra, é apenas mais uma dessas brutais ocorrências que se repetem diariamente na crônica policial do País.
Outro dia, aqui também no Ceará, vimos o caso de outra menina, Luana, que foi raptada quase das mãos da mãe num parque de diversões na cidade de Jardim, no sul do Estado, e depois também encontrada estuprada e morta.
Estão vivas na lembrança de todo o país, as cenas do menino João Hélio, arrastado até á morte sob as rodas de um veículo tomado por assaltantes, nas ruas do Rio de Janeiro.
Ninguém consegue esquecer o episódio brutal da menina Isabela, atirada do alto de um edifício, em São Paulo. Víamos, ainda recentemente, toda a sociedade brasileira chocada com o caso do garoto que teve o corpo espetado por mais de 40 agulhas. O noticiário nacional está repleto desses registros de pura crueldade contra a infância. E, mais grave: cresce o número de crianças, adolescentes executados pelo tráfico, vítimas do uso de drogas fortes como o crack. Vemos os jovens envolvidos nos acidentes brutais, causados pelo consumo desenfreado do álcool. Aliás, a esse propósito, apresentamos um projeto no Senado punindo com mais rigor os responsáveis pela venda de bebidas alcoólicas a pessoas de menor idade.
Alguma coisa precisa ser feita na defesa da criança, da infância nas ruas, em famílias desestruturadas, sem recursos e sem meios de sobrevivência. Cabe aos governos adotarem políticas públicas concretas que possam salvar a juventude da derrocada das drogas e da violência. As crianças estão cada vez mais expostas e precisam ser amadas e defendidas. Precisamos, por exemplo, por em prática aquilo que a lei já estabelece, como no caso do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Trata-se de uma das legislações mais avançadas no mundo, mas a falta de recursos e de vontade política para implementá-lo integralmente acaba transformado-o em mera carta de intenções. Temos, então, um discurso bonito sem uma prática concreta, capaz de produzir os efeitos necessários no sentido de conter esse incêndio devastador que avança sobre a nossa infância e nossa juventude, ameaçando o nosso futuro.
As crianças estão cada vez mais expostas e precisam ser amadas e defendidas, porque sem elas país nenhum terá futuro. Como cidadão, pai de família e homem
público estaremos abertos a quaisquer opiniões que possam nos fortalecer na nossa atuação no Congresso, para o combate à violência de um modo geral, sobretudo contra a infância e a adolescência. Já é hora de todos nós, da sociedade em geral, nos indignarmos e reagirmos contra esse rio de sangue da violência, que nos coloca em pânico e rouba a nossa paz.
.
O Povo