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O Povo
Guerrilha urbana
15 de Março de 2010 às 10:03
 
 

A violência assume contornos de verdadeira epidemia. A guerrilha urbana que testemunhamos dia a dia é a mais dramática tradução da inominável dívida social represada em nosso país, e de há muito.

As repetidas omissões nas áreas sociais dos poderes públicos de todas as esferas com a consequente inversão de valores onde assistimos a ``glamourização`` do crime (muitas vezes estimulada inconscientemente pela própria mídia) e o habitual exercício de que ``os fins justificam os meios`` geradora da avassaladora corrupção que campeia nosso Brasil, são o espelho da atual realidade e reflexo da guerra civil na qual nos inserimos.

O exército de desassistidos, , analfabetos e desesperançosos, optam pelo atalho do crime no desesperado objetivo de atingirem o ``sucesso``. O tráfico de drogas surge como a primeira mão-empregadora que se estende aos jovens, estes, muitas vezes, carentes de valores morais e éticos, heranças de seus genitores, igualmente despidos de substância.

A descrença no Sistema de Justiça Criminal pela população é indisfarçável e bem representada pela impunidade, esta, consequência mediata da morosidade do judiciário. Urgem gritos de reforma na legislação, Reforma do Judiciário...

A sociedade recua no tempo e passamos a verificar ações que remontam à fase primitiva do Direito Penal: a vingança privada. Reinstala-se o Código de Hamurabi que previa o ``olho por olho, dente por dente``, divisando uma era de involução. Estamos de volta à barbárie.

O ex-presidente da OAB Nacional Ernando Uchoa Lima antevia tal estado de coisas quando asseverou que ``A preocupação pelos destinos da pátria é que nos leva a este exame da sua vida atual. Esconder a gravidade dos seus males seria agravar ainda mais o seu estado``. Citando Zola, acrescenta: ``não advertir a Nação diante do perigo, para que se acautele e reaja, é fazer do silêncio o mais hediondo crime e a mais covarde e abjeta de todas as traições``, reforçando mais com as sábias palavras do mestre Paulo Bonavides que arrematou que nosso país``se encontra na vigésima quarta hora do seu destino. Os ponteiros avançaram demais e quando fechar-se essa curva, sem que mudemos a direção de nossos rumos, ter-se-á extinguido a última possibilidade de uma recomposição nacional, vigorosa e completa``.

 

O Povo

 

 
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